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  • Tiago Eugênio

Tudo o que você precisa saber sobre o uso de Escape Room na Educação


Seres humanos gostam de ser desafiados e não há nada mais mobilizador do que a necessidade de escapar de algum lugar. Quem já experimentou a sensação de ficar trancado em um elevador ou outro cômodo qualquer sabe o quão essa sensação nos desperta para a ação.




Uma sala de escape (Escape Room, em inglês) é uma modalidade de jogo que reproduz essa sensação de uma forma controlada. Os jogadores são “trancados” dentro de uma sala e precisam desvendar enigmas e quebra-cabeças para escapar antes que o tempo se esgote.


Essa modalidade de jogo foi totalmente inspirada nos videogames, semelhantes ao Maniac Mansion, desenvolvidos em 1987 pela LucasArts. Os jogos de escape acontecem em locais fictícios, como celas de prisão, masmorras e estações espaciais; e são úteis como exercício de trabalho em equipe, tomada de decisão e uso do raciocínio lógico para resolver problemas.


Um elemento importante de um escape room é o tempo regressivo. O tempo decrescente ativa o gatilho mental da urgência. Na verdade, nos jogos de escape, dois gatilhos mentais são predominantes: urgência e escassez.


A escassez gradativa do tempo alimenta o gatilho da urgência, energizando e motivando mais o indivíduo. Essa motivação é a força motriz que conduz o sujeito para a resolução dos desafios.


Nos últimos anos, essa modalidade de jogo saiu das telas e se materializou em salas físicas de escape espalhadas por todo o mundo. Virou uma febre e uma opção recreativa entre amigos.


Nos EUA, Espanha, Portugal, Chile, Equador e México muitos professores utilizam essa modalidade de jogo em suas aulas. No Brasil, recentemente professores também vem conhecendo e reconhecendo o valor dessas atividades para o processo de ensino e aprendizagem.


5 bons motivos para utilizar escapes room em uma aula.


Tempo: Escapes room tem tempos delimitados, favorecendo sua execução em períodos cursos como em uma aula de 50min.


Conteúdo: Escapes room são versáteis, permitem trabalhar com qualquer conteúdo.


Imersão: Escapes room, em geral, são contextualizados por uma narrativa misteriosa, um cenário macabro que nos envolve e faz nos sentir aquilo como uma experiência épica. A imersão é importante para ativar a motivação intrínseca do aluno e motivá-lo a cumprir os desafios propostos.


Progressivo: a resolução de um desafio, permite o sujeito abrir outra coisa, avançar na exploração de um novo lugar reproduzindo uma sensação constante de progressão (abrir uma gaveta ou cadeado, por exemplo).


Feedback instantâneo: a cada enigma desvendado, o feedback ocorre instantaneamente com o desbloqueio de mais uma pista até que a saída seja encontrada.



Perceba como a atividade contempla necessidades logísticas, de conteúdo (do professor) e também os aspectos motivacionais (do aluno), fundamentais para uma boa aprendizagem. Observe também como todos esses elementos são comuns aos jogos, por isso podemos dizer que ao usar esses elementos de jogos em uma aula (que não é um jogo), estamos usando de forma correta o conceito de gamificação aplicado à educação.


Uma pergunta frequente é: quando utilizar o escape room no contexto de sala de aula?


Preciso ser sincero: escape room com conteúdo escolar é muito mais eficaz quando é utilizado como um desafio final, por exemplo, de fechamento de uma unidade de estudo.


Por seu caráter emergencial, esse tipo de gamificação não é nenhum pouco adequada para atividades de apresentação de conteúdo, muito menos para fins mais reflexivos. O tempo pressiona e estressa o aluno. Ele não quer refletir, mas sim resolver os enigmas e escapar.

Afinal, essa é a proposta de um escape room!


Mas, então, para que eu devo investir nessa proposta?


Oras, escape room é uma excelente estratégia como uma atividade de revisão, de reforço e consolidação de aprendizagem. Uma avaliação pode ser feita por meio dessa estratégia também. Lembre-se, não há aprendizagem sem reforço, sem repetição e oportunidades para o aluno aplicar aquilo que ele aprendeu.


Por sua natureza colaborativa, escape room também é super recomendável para o trabalho de habilidades com os alunos, criando pretextos propositivos para o trabalho em grupo, pensamento crítico, persistência e poder de análise e síntese. Não é por menos que hoje muitas empresas estão utilizando esse tipo de jogo para selecionar seus candidatos.


Escape físico, digital ou híbrido


Há diferentes formas de criar um escape room para utilizar em uma aula presencial ou remota.


A maneira mais tradicional é a física, a partir de enigmas impressos e uso de objetos físicos como cadeados, baús, canetas com luz UV, envelopes pardos, chaves, baralhos e muitas outras coisas para reproduzir essa experiência em sala de aula. O escape físico é muito motivador e propício para o trabalho em grupo, mas em termos logísticos pode tomar muito tempo de planejamento do professor e um esforço físico descomunal para executá-lo e reconfigurá-lo para outras turmas.


Outra forma usual é contar com recursos digitais como um questionário eletrônico que pode ser criado no Google Forms ou por meio de apresentações mais interativas com uso do Genial.ly e Nearpod.


No Google forms há bons exemplos criados por professores brasileiros também.

Vale a pena destacar os criado pelo professor Leandro Molina.


Molina cria escapes room para suas aulas de matemática.


Veja alguns exemplos


Escape room: arredondamento


Escape room: manchas de tinta



No plano gratuito do Genial.ly há diversos templates pré-prontos que você pode personalizar e criar seu escape digital. Abaixo deixo um exemplo em inglês disponibilizado pala plataforma. Muitos educadores criam suas atividades a partir desses templates, modificando o conteúdo e adicionando novas mecânicas.





O professor de Geografia, Lucas Palmeira, meu aluno do curso on-line de gamificação descomplicada para educadores, é um exemplo de professor inovador.


Ele também utilizar o Genial.ly para criar aulas mais interativas no formato de escape room. O interessante do estilo do professor Lucas é que ele explora a linguagem dos games e da cultura pop. A atividade abaixo foi criada por ele e o professor Cleiton Froelich.




Além do Genial.ly, o professor Lucas também utiliza o Google Forms. Veja esse exemplo de formulário gamificado denominado "Em busca da Esfera dos Dragão", baseado na narrativa de Dragon Ball:


É importante destacar que o professor precisa contar com um conhecimento sobre o uso dessas ferramentas e uso de imagens e outros recursos para associar a intencionalidade pedagógica com a estética e as mecânicas dos jogos típicos de escape. O tempo de preparo de uma atividade como essa do Lucas demora horas. "Acredito que a gente demorou umas 8 horas para produzir a aula interativa do Clash Royale. A gente fez em uns 5 dias, fazendo um pouquinho a cada dia", a firma Palmeira.


Foi pensando muito no professor, no seu volume de trabalho e na quantidade de aulas que ele ministra que desenvolvi uma ferramenta alternativa, na qual o professor configura suas atividades por meio do Google Drive.


Com auxílio de uma planilha eletrônica do Drive, o professor pode configurar um escape completo, escolhendo o tempo de duração da atividade, número de desafios, pistas, além de personalizar mensagens iniciais, finais e também de configurar uma senha de acesso para os alunos. O link pode ser compartilhado facilmente com os alunos, envolvendo-os em uma atividade contemplando o conteúdo que o professor desejar.


COMO O PROFESSOR PLANEJA COMO O ALUNO VISUALIZA



Para realçar o aspecto imersivo, o professor pode modificar o background de uma forma muito simples: basta apenas fazer um CTRL+ C e CTRL + V de uma imagem ou GIF disponível na internet.


Essas e outras ferramentas para gamificar uma aula ou sequência didática você encontra no curso de gamificação descomplicada para educadores.


No @aulaemjogo, estamos procurando uma série de escapes de matemática, ciências, geografia e outras disciplinas, prontos para o professor aplicar e experimentar mais essa estratégia em sala de aula.


Veja um exemplo de atividade postada no instagram do @aulaemjogo




Para acessar a atividade do vídeo: bit.ly/escape-bio01

senha: 3737

No próximo texto, irei comentar sobre os diferentes tipos de estrutura e organização de puzzle de um escape room.

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